MC Taya lança “Betty”, primeiro EP de sua carreira

Com quatro faixas inéditas e um remix, cantora conta sua história através de inspiração em “Betty Boop” a partir de músicas empoderadas e representatividade para mulheres negras

“É sobre ter sido embranquecida. É sobre eu ter sido violentada. Eu nunca fui tímida. Só mais uma negra silenciada”. É com essa fala que MC Taya termina a última faixa do seu EP Betty que estreia nesta segunda-feira (13), nas principais plataformas de áudio do país.

A potente frase define bem o que Taya quer transmitir com o EP “Betty”, principalmente, por ser o primeiro grande projeto de sua carreira musical. A artista reúne cinco faixas cheias de empoderamento, representatividade e que contam sua própria história. Para a sonoridade, Taya apostou em uma mistura de estilos que raramente são trabalhados juntos, unindo funk, rap, rock e trap.

O nome “Betty”, definido como título do EP e como a persona principal dessa nova era da cantora, foi escolhido por conta de Betty Boop. A icônica personagem dos quadrinhos é uma grande referência para Taya.

“Se você pegar a história original da Betty Boop vai ver que a personagem foi inspirada em uma mulher negra, porém quando passou a ser cartoon, Betty foi embranquecida. Betty Boop pra mim é o símbolo de toda mulher negra que foi esquecida e silenciada. Me identifico com essa personagem não só por termos o embranquecimento em comum, mas também pela autenticidade, atrevimento e a relação com a moda”, explica Taya.

Capa EP Betty

“Betty” faixa a faixa

Na primeira música, MC Taya define as mulheres “Betty Boops” como aquelas que são as protagonistas de suas próprias histórias, que sabem o que desejam e que conquistaram suas independências. O som que faz parte do é do EP é uma versão do single lançado em fevereiro. Além do remix, o compilado traz outras quatro faixas inéditas. São elas: “Intelectual”, “Garota Propaganda”, “No Baile” e “Fartura e Riqueza” (single que é aposta principal deste projeto).

“Intelectual”, a primeira música do EP, narra a história da cantora. Desde a Taiane até MC Taya, que agora apresenta seu alter ego Betty. Taya fala sobre os preconceitos que sofreu por ser uma mulher negra, carioca, de favela, funkeira e como chegou à faculdade para vencer todos os estereótipos impostos a ela.

Formada em Indumentária pela UFRJ, a cantora traz referências literárias e fala sobre amor próprio, fé e autoestima na faixa que abre o EP. Para a sonoridade de “Intelectual”, Taya usou samples da música Prison Song da banda de metal System Of A Down para misturar o rock com o funk e rap.

A música “Garota Propaganda” foi composta por MC Taya em parceria com a artista LIL IVY e, como o próprio nome diz, é sobre o lado publicitário de Taya. Anteriormente, além de trabalhar com moda, Taya também teve experiência em agências de publicidade e hoje aplica todo esse repertório em sua carreira musical, participando de todas as estratégias da gestão de sua própria imagem. A estrutura da faixa traz um beat de trap com rimas bem definidas e ritmadas e o flow característico da artista.

O remix de “Betty Boop” é a terceira faixa do EP e foi feito pela DJ Dayeh. Diferente do single lançado em fevereiro, essa nova versão traz uma batida de funk “mandelão” que promete animar os bailes em todas as partes do Brasil.

Por falar nesse tipo de festa, a penúltima música “No Baile”, vem para balançar as plataformas digitais e também os bailes funk. Com a batida bem característica do funk, a faixa foi produzida por quatro DJs: DJ Dayeh, DJ Valecio, Buarky e Nath Sounds. Já a letra, composta em parceria com a artista IndiaOnika, traz o legado de empoderamento que MC Taya segue em sua carreira musical e que pretende inspirar outras mulheres.

O EP “Betty” termina com a faixa “Fartura e Riqueza”, que traz uma das letras mais significativas para Taya. Aqui ela descreve o ápice da trajetória que ela almeja como artista, narrando uma carreira de sucesso e como ela usufrui dos frutos do seu trabalho. O carinho especial com a faixa não está apenas na letra, mas também no ritmo escolhido. Misturando um rap bem construído com rimas afiadas e um flow inigualável vindo do trap, Taya traz um refrão mais melódico e cantado e aposta na combinação de ritmos para fechar com chave de ouro o EP.

Taya quer dar voz a temas de relevância

Após participar de eventos como Cena 2k22, BudX e WME Awards, MC Taya mira construir uma carreira com músicas que transmitam mensagens e discursos importantes. Mais do que ouvir sua música, Taya almeja que pessoas se sintam acolhidas e representadas com elas.

Taya é multiartista, é funkeira, rapper, comunicadora e foi uma das primeiras apostas do HERvolution, selo musical da KondZilla dedicado para artistas mulheres. Mesmo tendo contato com a música desde pequena, seu primeiro trabalho musical foi liberado apenas em 2019, quando a artista viu que cantar era sua grande paixão.

Diferente do que a sociedade espera de uma mulher negra, suas referências transpõem as vertentes do funk ou do samba. Para Taya, grandes inspirações são as bandas Slipknot, Korn e Planet Hemp e a cantora Pitty.

A música “Preta Patrícia”, por exemplo, vai ao encontro do “Afropaty”, também criado pela cantora. O movimento busca empoderar a mulher negra e ressignificar traços que, por muitos anos, foram marginalizados. Como a relação com o cabelo, com o corpo e até com a moda.

A era “Preta Patrícia” foi a primeira fase da trajetória musical de Taya. Agora, ela abre espaço para a chegada do alter ego “Betty”.

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