“ZYAR”: Eduardo Africano apresenta álbum guiado por identidade e ancestralidade 

“Não é erro de português”: Eduardo Africano explica o “Y” que atravessa seu álbum de estreia

O rapper e multiartista cearense Eduardo Africano lançou nesta quinta-feira (3) “ZYAR”, primeiro álbum de sua carreira. Com 12 faixas inéditas divididas em dois discos, o projeto apresenta uma escrita decolonial e aborda temas como raiz, identidade, ancestralidade, espiritualidade, resistência e transformação. 

O álbum faz parte do projeto “A elevação de um gênio rebelde” e está disponível nas plataformas digitais. O trabalho conta com apoio do X Edital das Artes de Fortaleza, da SECULTFOR, por meio da Lei nº 10.432/2015. 

Um dos principais elementos que conduzem o conceito de “ZYAR” é o uso constante da letra “Y” na escrita. Segundo Eduardo Africano, a escolha tem caráter artístico, cultural e simbólico e está relacionada ao processo de construção de uma linguagem que conecta suas referências urbanas à ancestralidade. 

“Meu álbum fala sobre raiz, processo, identidade e transformação. Então o ‘Y’ surge como um símbolo dessa travessia, algo que conecta o urbano com o ancestral, o rap com a memória, o presente com quem veio antes de nós. O ‘Y’ não substitui apenas uma letra. Ele muda a energia da palavra”, explica o artista. 

O significado do “Y” em “ZYAR”

A proposta de escrita presente no álbum surgiu a partir de experiências vividas pelo próprio rapper e do desenvolvimento de um olhar decolonial sobre sua produção artística.

Eduardo relaciona o uso do “Y” à presença da letra como vogal em línguas indígenas e afirma que a escolha representa uma forma de trabalhar questões relacionadas à identidade e à ancestralidade dentro do projeto. 

“O ‘Y’ nas faixas do meu álbum não é uma estética vazia. É identidade, ancestralidade e posicionamento. Muitas línguas indígenas utilizam o ‘Y’ como uma vogal própria, carregando sons e significados que não existem da mesma forma no português. Escolher escrever assim é uma forma de me reconectar com raízes que foram apagadas, silenciadas e muitas vezes desrespeitadas pela história”, afirma. 

Trajetória entre rap, literatura e arte-educação

Nascido em 18 de junho de 1994, Eduardo Africano tem 32 anos e é rapper, compositor, arte-educador, escritor, intérprete e multiartista. Natural de Fortaleza, no Ceará, sua trajetória está ligada às vivências em diferentes bairros periféricos da cidade e à utilização da arte como forma de expressão. 

O rap ocupa o centro de sua produção, com trabalhos que passam por temas como consciência social, espiritualidade, afetos, resistência e construção de identidade. 

Além da música, Eduardo Africano também atua na literatura. O artista é autor dos livros “Ultrapassando As Grades e Vendo Além dos Muros”, publicado em 2020, e “Eu Mermo”, lançado em 2023.

Há quase dez anos, o cearense também desenvolve trabalhos de arte-educação com jovens em unidades socioeducativas de Fortaleza, levando sua experiência com a palavra e o rap para além dos lançamentos musicais. 

Sua produção também se estende ao audiovisual, com videoclipes autorais publicados no YouTube. 

“ZYAR” marca primeiro álbum da carreira

Com dois discos e 12 músicas inéditas, “ZYAR” marca a estreia de Eduardo Africano no formato álbum e concentra parte das questões que o artista vem desenvolvendo em sua produção.

A escrita decolonial e o uso recorrente do “Y” aparecem como elementos centrais do projeto, representando, segundo Eduardo, identidade, ancestralidade, origem, espiritualidade e resistência. 

Integrante do projeto “A elevação de um gênio rebelde”, “ZYAR” já está disponível no Amazon Music, Apple Music, Deezer, Spotify, YouTube Music e demais plataformas digitais. OUÇA AGORA!

PERFIL DO ARTISTA: www.instagram.com/eduardo.africano

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