
Há exatos 30 anos, em 7 de setembro de 1996, Tupac Shakur era baleado em Las Vegas, em um dos episódios mais marcantes e trágicos da história do hip-hop. Naquela noite, o rapper havia acabado de assistir à luta entre Mike Tyson e Bruce Seldon no MGM Grand, sem imaginar que poucas horas depois seria alvo de um ataque que mudaria para sempre a cultura.
Após a luta, Tupac e integrantes de sua comitiva se envolveram em uma briga dentro do MGM Grand com Orlando “Baby Lane” Anderson, integrante dos South Side Compton Crips e sobrinho de Duane “Keffe D” Davis. De acordo com os promotores que conduziram o julgamento de Davis, a agressão foi o estopim para uma retaliação planejada naquela mesma noite.
Poucas horas depois, Tupac estava no banco de passageiro de um BMW dirigido por Marion “Suge” Knight, cofundador da Death Row Records. Enquanto o carro estava parado em um semáforo próximo à Las Vegas Strip, um Cadillac branco se aproximou. Os ocupantes abriram fogo contra o veículo.
Tupac foi atingido quatro vezes. Knight também foi ferido, mas sobreviveu. O rapper, então com apenas 25 anos, permaneceu internado durante seis dias e morreu em 13 de setembro de 1996.
O que veio depois foi uma das investigações mais longas e cercadas de especulações da música popular. Durante quase três décadas, ninguém havia sido condenado pela morte de Tupac. Orlando Anderson, apontado durante anos como uma possível peça central no crime, morreu em 1998 e nunca chegou a ser acusado pelo assassinato.
A investigação só ganhou um novo capítulo decisivo em 2023, quando Duane “Keffe D” Davis foi preso e acusado de participar da organização do ataque. Davis havia falado publicamente durante anos sobre seu envolvimento naquela noite e, em seu livro de memórias de 2019, também descreveu sua participação no episódio. Essas declarações acabaram se tornando parte importante da acusação.
A condenação de Keffe D
Em agosto de 2026, quase 30 anos depois do assassinato, Davis finalmente foi levado a julgamento em Las Vegas. A acusação sustentou que ele organizou a ação, forneceu a arma e coordenou a busca por Tupac e Suge Knight depois da briga no MGM Grand.
Uma das evidências apresentadas aos jurados foi uma gravação de 2008 na qual Davis afirmou que Orlando Anderson estava no carro e teria efetuado os disparos. O verdadeiro autor dos tiros, porém, nunca foi formalmente identificado pelas autoridades.
A defesa tentou colocar em dúvida as declarações de Davis, argumentando que suas histórias poderiam ter sido exageradas ou inventadas. Um antigo detetive de homicídios de Las Vegas chegou a testemunhar durante o julgamento que não conseguiu corroborar algumas das afirmações feitas pelo acusado. Ainda assim, os jurados consideraram suficientes as evidências apresentadas pela promotoria.
Em 31 de agosto de 2026, após cerca de três horas de deliberação, Duane “Keffe D” Davis foi considerado culpado por homicídio em primeiro grau com uso de arma mortal. Ele não foi condenado por ter puxado o gatilho, mas por seu papel na organização do ataque. A sentença está marcada para 13 de outubro, e Davis já afirmou que pretende recorrer.
A condenação encerra uma das maiores lacunas da história do rap, mas não responde a todas as perguntas. O responsável pelos disparos nunca foi condenado e outras pessoas envolvidas naquela noite também morreram ao longo dos anos.
Ainda assim, o caso de Tupac chega aos 30 anos com uma diferença fundamental em relação às três décadas anteriores: existe agora uma condenação judicial relacionada diretamente à sua morte.
Tupac Shakur tinha apenas 25 anos quando sua vida foi interrompida. Três décadas depois, sua música, sua imagem e suas ideias continuam presentes na cultura hip-hop, enquanto o crime que durante anos parecia destinado a permanecer sem resposta finalmente teve seu primeiro desfecho nos tribunais.
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