BK’ volta ao começo para fazer história novamente; relembre a trajetória do rapper 

De integrante da Nectar Gang, da Pirâmide Perdida, a vencedor do Prêmio da Música Brasileira, BK’ chega à celebração de uma década de carreira solo depois de construir uma das trajetórias mais consistentes e respeitadas do rap nacional.

Neste sábado (19), BK’ subirá ao palco do Nubank Parque, em São Paulo, e dará início à turnê que celebra os 10 anos do icônico “Castelos & Ruínas”. Marcada para 19 de setembro, a apresentação abre uma série de seis shows que atravessam o país até chegar ao Maracanã, no Rio de Janeiro, em janeiro de 2027. A turnê foi anunciada oficialmente em agosto e transforma a comemoração de uma década do primeiro álbum solo de BK’ em um dos maiores projetos de sua carreira.

A escolha de “Castelos & Ruínas” como ponto de partida para essa celebração não é por acaso. Lançado em 21 de março de 2016, o álbum apresentou ao público um rapper que já carregava uma identidade própria e ajudou a estabelecer um novo momento para o rap nacional. Dez anos depois, o disco acumula milhões de reproduções nas plataformas e se tornou um verdadeiro clássico da atual geração do rap brasileiro.

Mas para entender o tamanho desse momento da carreira de Abebe Bikila Costa Santos, é preciso voltar para antes de “Castelos & Ruínas”.

Antes de BK’, existia a Nectar Gang

A história de BK’ não começa em 2016.

Antes de construir sua carreira solo, Abebe já fazia parte da movimentação independente do rap carioca. O artista cresceu no Rio de Janeiro e encontrou no hip-hop um espaço de formação artística e pessoal.

Foi nesse ambiente que surgiu a Nectar Gang, coletivo que reuniu BK’, CHS, Bril e JXNV$. O grupo ajudou a movimentar a cena independente carioca e serviu como uma espécie de laboratório para a identidade que BK’ desenvolveria posteriormente em sua carreira solo.

A experiência também aproximou o rapper de diferentes linguagens artísticas. Antes de se dedicar integralmente à música, trabalhou com audiovisual, experiência que posteriormente ajudaria a construir a estética visual presente em seus projetos.

A história desse período ajuda a entender uma característica que acompanharia toda sua trajetória: para o artista, o rap nunca esteve separado da construção de uma identidade visual, de uma narrativa e de um universo próprio.

2016: Castelos & Ruínas muda a trajetória

Em 21 de março de 2016, BK’ lançou “Castelos & Ruínas”, seu primeiro álbum solo.

Produzido por El Lif Beatz e JXNV$, o projeto apresentou um rapper interessado em transformar experiências pessoais, ambições, conflitos e observações sobre a vida em matéria-prima para suas letras.

O álbum rapidamente ultrapassou o circuito independente e passou a ser reconhecido como um dos trabalhos importantes daquela geração.

O reconhecimento veio também em votações especializadas e populares. “Castelos & Ruínas” foi eleito melhor álbum de rap nacional de 2016 em votação da Red Bull e do Genius Brasil, ajudando a consolidar o disco como uma referência daquele momento.

A importância do álbum também pode ser percebida pela forma como suas músicas continuam presentes na carreira de BK’ uma década depois. Na coletiva sobre a celebração dos dez anos, o rapper afirmou que não retiraria nem acrescentaria nenhuma faixa ao disco e reforçou que, para ele, um clássico não deve ser alterado.

A conexão com a atual geração do rap

A partir de “Castelos & Ruínas”, BK’ passou a ocupar um espaço cada vez maior na cena.

Participações em projetos coletivos como “Poetas no Topo” e “Favela Vive” ajudaram a aproximar seu nome de outros artistas que também estavam transformando o rap nacional naquele período.

O rapper passou a ser visto como parte de uma geração que não apenas consumia a cultura hip-hop, mas começava a ocupar espaços maiores dentro da música brasileira.

Essa expansão seria fundamental para o que viria nos anos seguintes.

2018: chegam os Gigantes

Em 2018, BK’ lançou “Gigantes”, seu segundo álbum de estúdio.

O trabalho ampliou o universo criado no disco de estreia e trouxe participações de nomes como Marcelo D2, Sain, Baco Exu do Blues e Luccas Carlos.

2020: O Líder em Movimento

Em setembro de 2020, BK’ lançou “O Líder em Movimento”, seu terceiro álbum de estúdio.

O projeto trouxe uma abordagem mais política e aprofundou discussões sobre racismo, identidade negra, poder e representatividade.

O álbum utiliza referências a figuras como Malcolm X, Martin Luther King Jr., Abdias do Nascimento, Marielle Franco, Tupac e Notorious B.I.G., criando uma narrativa que aproxima a trajetória pessoal do artista de questões históricas e sociais.

Naquele momento, BK’ já não era apenas o rapper que havia lançado “Castelos & Ruínas”. Sua música havia se transformado em uma ferramenta para discutir a experiência negra, as contradições da sociedade e o próprio lugar que ocupava dentro dela.

2021: BK’ também passa a construir por trás dos palcos

Outro passo importante veio com a criação do selo Gigantes, que ampliou a atuação de BK’ para além de sua própria carreira.

O projeto passou a funcionar como uma plataforma para novos trabalhos e artistas, reforçando uma característica que seria cada vez mais presente em sua trajetória: a preocupação com a construção coletiva da cena.

Essa dimensão empresarial e artística ganhou ainda mais força nos anos seguintes.

2022: ICARUS

O quarto álbum de estúdio chegou em 2022.

“ICARUS” utilizou o mito de Ícaro como ponto de partida para falar sobre ascensão, ambição, queda, racismo e os limites impostos pela sociedade.

O projeto também marcou uma nova fase estética para BK’, que passou a trabalhar cada vez mais a relação entre música, audiovisual e conceito.

A turnê de “ICARUS” ampliou a escala de seus shows e levou o rapper para diferentes cidades brasileiras e também para fora do país, no momento em que o seu nome já figuras entre os grandes destaques da cena brasileira.

Em 2024, essa fase chegou ao seu grande encerramento com “ICARUS: A Apoteose”, apresentação realizada na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, que reuniu mais de 20 mil pessoas e se tornou um dos momentos mais icônicos da carreira do artista.

Foi um dos primeiros grandes sinais do tamanho que os shows solo de BK’ poderiam alcançar, mas algo ainda maior estava por vir.

2024: Medalha Tiradentes

Ainda em 2024, BK’ recebeu a Medalha Tiradentes, uma das principais honrarias concedidas pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

A homenagem reconheceu suas contribuições para a cultura e reforçou uma transformação que vinha acontecendo ao longo da carreira: aquele artista que havia começado dentro do circuito independente agora era reconhecido também institucionalmente.

2025: Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer

Em janeiro de 2025, BK’ iniciou outra fase de sua carreira com “Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer”.

O quinto álbum de estúdio ampliou ainda mais a mistura de referências presentes em sua música, aproximando rap, soul, samba, MPB e outras sonoridades brasileiras.

O projeto teve uma resposta expressiva nas plataformas digitais. Nas primeiras 24 horas, registrou milhões de reproduções e colocou suas faixas entre os destaques do Spotify Brasil.

Posteriormente, o álbum ultrapassou 100 milhões de streams e recebeu certificação de Disco de Ouro, enquanto faixas como “Só Quero Ver”, com Evinha, e “Cacos de Vidro” também receberam certificações.

A fase de “DLRE” também trouxe um curta-metragem gravado na Etiópia, ampliando novamente a dimensão audiovisual dos trabalhos do rapper.

O Festival GIGANTES

O crescimento de BK’ como artista e empresário ganhou uma nova dimensão com o Festival GIGANTES, realizado na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro.

A primeira edição reuniu diferentes gerações e vertentes do rap nacional e colocou BK’ também na posição de curador e articulador de uma grande celebração da cena.

O próprio show de “Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer” contou com diversos convidados ligados ao álbum.

A escolha da Apoteose não foi casual. Um ano antes, BK’ havia utilizado o mesmo espaço para encerrar a era de “ICARUS” diante de mais de 20 mil pessoas.

A cada novo projeto, os números e os espaços ocupados aumentavam.

2026: o reconhecimento chega ao Prêmio da Música Brasileira

Em 2026, BK’ conquistou um dos reconhecimentos mais importantes de sua carreira.

O rapper venceu o Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Artista de Rap/Trap, consolidando o espaço que construiu ao longo de uma década.

A premiação é especialmente simbólica porque coloca BK’ dentro de uma instituição historicamente dedicada a reconhecer diferentes gerações e gêneros da música brasileira.

Depois de cinco álbuns, diferentes projetos, turnês, festivais e grandes apresentações, o reconhecimento chegou justamente no ano em que ele se prepara para revisitar o ponto de partida de sua carreira solo. Uma década após o seu disco de estreia, BK’ se consolidou como uma das vozes mais potentes da música nacional, sendo reconhecido por artistas de todos os gêneros musicais, incluindo lendas como Djavan, Milton Nascimento, Evinha e outros nomes.

Dez anos depois, Castelos & Ruínas volta aos grandes palcos

A celebração começou a ganhar forma ainda no primeiro semestre de 2026.

Campanhas espalhadas por São Paulo começaram a provocar os fãs e preparar o terreno para o anúncio. Muita gente especulava uma possível continuação do disco, algo que foi descartado pelo artista em coletiva exclusiva feita a imprensa. 

Em abril, BK’ confirmou o grande show de dez anos do já lendário “Castelos & Ruínas”, inicialmente anunciado para o Allianz Parque, que posteriormente se tornou o Nubank Parque. 

A apresentação foi apresentada como um marco inédito: BK’ seria o primeiro rapper brasileiro a realizar um show solo no estádio paulista.

Em meio a grande repercussão do local escolhido para o primeiro show da turnê, o público ainda foi surpreendido após o primeiro anúncio e a comemoração ganhou uma dimensão ainda maior com o anúncio da turnê nacional e último show marcado para o Rio de Janeiro.

São seis cidades confirmadas na turnê:

Turnê 10 Anos — Castelos & Ruínas

São Paulo Nubank Parque 19 Set 2026
Porto Alegre KTO Arena 24 Out 2026
Salvador Arena A TARDE 19 Nov 2026
Belo Horizonte Arena Hall 28 Nov 2026
Curitiba Igloo Super Hall 19 Dez 2026
Rio de Janeiro Maracanã 16 Jan 2027

Do Castelos & Ruínas ao Maracanã

Talvez o dado mais simbólico de toda essa história esteja justamente no último capítulo da turnê.

Em 16 de janeiro de 2027, BK’ vai encerrar a celebração no Maracanã, no Rio de Janeiro. Este será o primeiro show solo de um rapper brasileiro no estádio, algo que por si só já nasce sendo histórico.

E o tamanho da procura já dá uma dimensão do que esse encerramento representa: mais de 40 mil ingressos foram vendidos em menos de 24 horas para a apresentação. O número supera o público registrado por BK’ na Apoteose em 2025, como noticiamos há algumas semanas.

O Maracanã também fecha um círculo e uma tour que ficará marcada na história.

BK’ nasceu no Rio de Janeiro. Foi na cena carioca que começou a construir sua trajetória. Foi dali que saiu para conquistar o país. E será na mesma cidade onde tudo começou que ele encerrará a turnê que celebra dez anos do álbum responsável por apresentar seu nome a uma geração inteira.

Uma década que não cabe em um único álbum

“Castelos & Ruínas” completa dez anos, mas a história que será celebrada em setembro não pertence somente a 2016.

Ela passa pela Nectar Gang.

Passa pela Pirâmide Perdida.

Passa por “C&R”, “Gigantes”, “O Líder em Movimento”, “ICARUS” e “Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer”.

Passa pelos festivais, pelos palcos cada vez maiores, pelas certificações, pelo selo Gigantes, pelo Festival GIGANTES, pela Medalha Tiradentes e pelo Prêmio da Música Brasileira.

Passa também por todos os artistas que estiveram ao lado de BK’ nesses anos e por uma geração de fãs que cresceu ouvindo suas músicas.

Por isso, quando Abebe Bikila entrar no palco do Nubank Parque no show de estreia da turnê C&R, não será apenas o aniversário de um disco. Será o reencontro entre um artista e a obra que abriu sua caminhada solo.

Dez anos depois de lançar “Castelos & Ruínas”, BK’ volta ao começo sabendo tudo o que aconteceu depois e talvez seja justamente essa a força desse momento: o álbum continua sendo o mesmo, mas o homem que vai cantá-lo diante de milhares de pessoas não é mais o mesmo de 2016.

Aquele rapper que começou construindo seu espaço na cena independente agora chega para abrir uma turnê que vai atravessar o Brasil e terminar no Maracanã.

Em 19 de setembro, “Castelos & Ruínas” vai voltar a ser ouvido como se fosse a primeira vez. Só que agora, diante de um público que sabe exatamente o tamanho da história que veio depois.

Veja as infos gerais do evento:

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