O ex-engenheiro de áudio Joseph Strange admitiu ter copiado e vendido gravações não autorizadas do rapper. O material ultrapassou 8 milhões de acessos na internet, e a sentença está prevista para janeiro de 2027.
O rapper Eminem teve mais de dez arquivos de áudio inéditos retirados de um sistema restrito de armazenamento musical e comercializados sem sua autorização por um antigo funcionário. Joseph Strange, de 48 anos, declarou-se culpado por violação criminosa de direitos autorais na Justiça federal dos Estados Unidos, em 22 de outubro.
De acordo com informações divulgadas pela Billboard, Strange recebeu aproximadamente US$ 50 mil com a venda das gravações, negociadas pela internet entre julho e agosto de 2024. O material acabou circulando em plataformas digitais e comunidades dedicadas a vazamentos musicais.
Como as músicas inéditas foram roubadas
Strange trabalhou com Eminem entre 2007 e 2021, em um estúdio localizado em Ferndale, no estado de Michigan. Entre suas atividades estava a instalação e a operação de sistemas de computadores utilizados na produção musical do rapper, o que lhe proporcionava acesso a discos rígidos protegidos por senha que armazenavam arquivos em diferentes etapas de desenvolvimento.
Segundo os documentos apresentados pelas autoridades americanas, ele aproveitou esse acesso para copiar gravações sem permissão e repassá-las a compradores. Parte do conteúdo ainda estava em fase de produção, enquanto outros registros eram demos, experimentos e ideias antigas que não haviam sido autorizados para lançamento.
O material vazado incluía gravações relacionadas a colaborações com Dr. Dre e 50 Cent, além de uma faixa de 2003 que supostamente continha ataques a Ja Rule e Suge Knight. A presença desses registros entre os arquivos divulgados chamou atenção por envolver trabalhos antigos e conteúdos que não necessariamente chegariam ao catálogo oficial do rapper.
Vazamentos somaram milhões de acessos
Embora Strange tenha recebido cerca de US$ 50 mil pelas transações, as autoridades estimaram em pelo menos US$ 750 mil o valor relacionado à violação de direitos autorais. O montante corresponde à estimativa dos danos associados ao caso, e não ao dinheiro efetivamente embolsado pelo ex-funcionário.
Dados fornecidos por plataformas de streaming indicaram que, até novembro de 2025, os arquivos identificados na investigação haviam acumulado mais de 8 milhões de acessos. Depois das vendas, as gravações foram disponibilizadas na internet sem que Eminem e sua equipe pudessem controlar sua distribuição.
Um representante do rapper afirmou anteriormente à Billboard que os materiais eram registros de estúdio que nunca haviam sido destinados ao público. Segundo a declaração, as gravações incluíam demos, experimentos e ideias antigas, sem que isso significasse uma decisão de lançá-las oficialmente.
Defesa afirma que o réu está arrependido
Após a declaração de culpa, o advogado Wade G. Fink afirmou à Billboard que seu cliente assumiu a responsabilidade pelo que fez e demonstrava arrependimento. O defensor também contestou a forma como o caso foi apresentado publicamente, argumentando que as circunstâncias seriam mais complexas do que a descrição divulgada pelas autoridades.
A investigação envolveu autoridades federais dos Estados Unidos e o FBI. Para a promotoria, o ex-funcionário utilizou indevidamente a confiança decorrente de sua posição profissional para obter dinheiro com obras que ainda não tinham autorização para distribuição.
A sentença de Joseph Strange está marcada para 27 de janeiro de 2027. Ele poderá receber uma pena de até cinco anos de prisão pela infração de direitos autorais, mas a duração definitiva da punição será determinada pela Justiça. A pena máxima prevista não significa que ele necessariamente cumprirá cinco anos.
Até o momento, não há anúncio de Eminem sobre um possível lançamento oficial das gravações envolvidas no caso.
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