Emicida completa 41 anos nesta segunda-feira (17). Nascido em São Paulo, o rapper construiu uma das trajetórias mais importantes do rap brasileiro, passando pelas batalhas de MCs, pela música independente, pela criação da Laboratório Fantasma, por grandes discos, premiações e projetos que levaram sua obra para além do rap.
Leandro Roque de Oliveira nasceu em 17 de agosto de 1985 e começou a se destacar na cena de batalhas de freestyle na década de 2000. Antes de construir uma discografia, Emicida ganhou espaço pela força das rimas improvisadas e pelas disputas de MCs em São Paulo.

As batalhas e o início da carreira
Emicida começou a registrar suas primeiras composições por volta de 2005, período em que também passou a participar das batalhas. Em 2006, conquistou a Liga dos MCs, tendo Gil Metralha como vice na competição nacional.
Foi nesse ambiente que o artista começou a construir a identidade que levaria para os palcos e gravações. O nome Emicida ficou associado justamente à sua atuação nas batalhas e à capacidade de superar adversários nas disputas de rima.
A transição para a música gravada aconteceu de forma independente. Em 2008, lançou “Triunfo”, faixa que se tornou um dos primeiros grandes marcos de sua carreira e ajudou a ampliar seu alcance para além do circuito das batalhas.

2009: a primeira mixtape
Em 2009, Emicida lançou sua primeira mixtape, “Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe…”.
O projeto reúne 25 faixas e foi construído de maneira independente. Na época, o trabalho circulou principalmente pelo boca a boca, estratégia que ajudou a transformar Emicida em um dos nomes de maior destaque do rap independente brasileiro.
O lançamento também estabeleceu uma característica que acompanharia sua carreira: a capacidade de transformar experiências pessoais, observações sobre a periferia e questões sociais em narrativas musicais.
2010 e 2011: Emicídio e a consolidação do artista independente
A produção continuou nos anos seguintes. Em 2010, Emicida lançou o EP “Sua Mina Ouve Meu Rap Também” e a mixtape “Emicídio”, ampliando sua discografia enquanto sua presença na mídia e na cena nacional crescia.
Em 2011, veio “Doozicabraba e a Revolução Silenciosa”, outro trabalho que antecedeu a chegada do rapper ao formato de álbum de estúdio.
Esse período também foi fundamental para a construção da estrutura independente que posteriormente se consolidaria com a Laboratório Fantasma, projeto criado ao lado de Evandro Fióti.

2013: o primeiro álbum de estúdio
Depois das mixtapes e EPs, Emicida chegou ao seu primeiro álbum de estúdio em 2013, com “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”.
O disco marcou uma nova etapa da carreira e ampliou a experimentação musical do rapper, aproximando o Hip Hop de diferentes referências da música brasileira.
Entre as faixas mais conhecidas estão “Levanta e Anda”, “Hoje Cedo” e “Crisântemo”, que ajudaram a estabelecer o álbum como um dos trabalhos centrais da primeira fase de sua discografia.
2015: África e “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…”
Em 2015, Emicida lançou seu segundo álbum de estúdio, “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…”. O trabalho nasceu também das experiências do rapper durante uma viagem de 20 dias por Madagascar, Cabo Verde e Angola, realizada naquele ano.
O disco aprofundou temas relacionados à identidade negra, racismo, desigualdade, infância e ancestralidade, enquanto incorporava elementos e músicos ligados aos países visitados pelo artista.
O álbum contou ainda com participações de nomes como Caetano Veloso, Vanessa da Mata, Drik Barbosa e Dona Jacira.
Em 2016, o trabalho recebeu indicação ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Urbana e conquistou certificação de ouro no Brasil.
+ Leia: Turnê do álbum “Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores” é anunciada!
2017: Língua Franca
A carreira também ganhou uma dimensão internacional em 2017, quando Emicida se uniu aos portugueses Valete e Capicua e ao brasileiro Rael para formar o projeto Língua Franca.
O álbum aproximou artistas de Brasil e Portugal e reforçou a capacidade de Emicida de transitar por diferentes territórios e diálogos dentro da música em língua portuguesa.

2019: AmarElo muda novamente o tamanho da obra
Em 2019, Emicida iniciou uma das fases mais marcantes de sua carreira com o álbum “AmarElo”.
O projeto ampliou o diálogo do rapper com a música brasileira e reuniu artistas de diferentes gerações. A faixa-título traz participações de Majur e Pabllo Vittar e utiliza um sample de “Sujeito de Sorte”, de Belchior. A composição foi indicada ao Grammy Latino na categoria de Melhor Canção em Língua Portuguesa.
Mais do que um álbum, AmarElo se transformou em um projeto artístico que conectou música, memória, história e cultura negra brasileira.
A apresentação do trabalho no Theatro Municipal de São Paulo, em 2019, posteriormente serviu como base para o documentário da Netflix.
2020: o primeiro Grammy Latino
Em 2020, Emicida conquistou seu primeiro Grammy Latino com AmarElo, vencedor na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa. A própria Academia Latina da Gravação registra a vitória como o primeiro Grammy Latino da carreira do rapper.
No mesmo ano, chegou à Netflix “Emicida: AmarElo – É Tudo Pra Ontem”. O documentário usa como eixo o espetáculo realizado no Theatro Municipal e conecta o processo de criação de AmarElo à história da cultura negra brasileira.
A produção ajudou a levar a obra de Emicida para um público ainda maior, apresentando sua trajetória e referências históricas em uma produção distribuída internacionalmente.
2021 em diante: novas linguagens
Em 2021, Emicida lançou “AmarElo – Ao Vivo”, ampliando o registro da experiência construída em torno do álbum.
A partir dessa fase, sua atuação continuou ultrapassando os limites tradicionais da carreira de um rapper. Música, audiovisual, televisão, documentários e projetos culturais passaram a fazer parte de uma trajetória cada vez mais ampla.

2025: Emicida Racional VL 2
Depois de AmarElo, Emicida voltou a lançar um novo álbum de estúdio com faixas inéditas em 2025, com “Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores”.
Lançado em 11 de dezembro de 2025, o projeto estabelece um diálogo direto com a obra dos Racionais MC’s, grupo que possui enorme importância na formação artística de Emicida. O disco tem dez faixas e funciona como uma homenagem construída a partir das referências e valores que atravessam a obra dos Racionais.
O álbum também abriu uma nova etapa de sua carreira nos palcos. Em 2026, Emicida levou o conceito do trabalho para a Emicida Racional MCMV Tour, espetáculo que revisita diferentes momentos de sua discografia, das primeiras mixtapes até AmarElo.
Leia também: Emicida participa do RE-VERSO e comenta influências de “Cores & Valores”, dos Racionais MC’s
41 anos de uma trajetória construída no Hip-Hop
A história de Emicida começa antes dos grandes palcos e das premiações. Está nas batalhas de MCs, nas primeiras gravações independentes e na construção de uma carreira que cresceu sem abandonar a cultura Hip Hop como ponto de partida.
Vieram as mixtapes, os EPs, o primeiro álbum de estúdio, as experiências internacionais, a Laboratório Fantasma, os prêmios e projetos como AmarElo, que levaram sua música para outros espaços e públicos.
Hoje, aos 41 anos, Emicida vive mais um capítulo dessa trajetória com um trabalho recente diretamente conectado aos Racionais MC’s e às referências que ajudaram a formar sua visão artística. Atualmente, é considerado referência por praticamente toda a geração e suas obras, são atemporais.
Da batalha de MCs em 2006 ao Emicida Racional VL 2, lançado em 2025, são quase duas décadas de carreira fonográfica e uma transformação que fez de Emicida um dos nomes mais relevantes da história do rap brasileiro.
Saúde e vida longa ao mano Leandro Roque!
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