MC Hariel transforma teatro em baile funk na estreia brasileira do Red Bull Symphonic

MC Hariel fez história neste sábado (8) ao protagonizar a estreia brasileira do Red Bull Symphonic, projeto que levou o funk paulista para dentro de uma experiência sinfônica inédita. Com ingressos esgotados, o Auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina, em São Paulo, foi transformado em um grande baile funk.

Ao lado do maestro Xuxa Levy e de 56 músicos da chamada Orquestra de Fluxo, criada especialmente para o espetáculo, Hariel revisitou diferentes períodos do funk paulista em uma apresentação dividida em seis atos. O show conectou referências da música clássica, da cultura dos bailes e da identidade de São Paulo com momentos importantes da trajetória do artista.

A noite também contou com participações de MC Don Juan, Neguinho do Kaxeta, Tasha & Tracie, MC Menor da VG, MC Ktrine e SUBMUNDO 808, além de outras participações previstas no repertório apresentado.

Mc Hariel is seen during Red Bull Symphonic in Sao Paulo, Brazil on August 08, 2026. // Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool // SI202608090053 // Usage for editorial use only //

MC Hariel conduz viagem pela história do funk paulista

O espetáculo começou com o ronco e o tradicional “randandã” das motos de Hariel, estabelecendo desde os primeiros minutos que aquela não seria uma apresentação sinfônica convencional.

A narrativa percorreu diferentes fases da carreira do artista e do próprio funk paulista, passando pela Baixada Nascente, homenagens a MC Daleste, funk ostentação, momentos marcantes da trajetória de Hariel e a chegada das novas gerações.

Mais do que reorganizar músicas para uma formação sinfônica, a apresentação buscou colocar no palco memórias, territórios e personagens que ajudaram a construir a história do funk em São Paulo.

Neguinho do Kaxeta representa a Baixada Santista

Um dos encontros do espetáculo aconteceu com Neguinho do Kaxeta, artista ligado à Baixada Santista, região fundamental para a história do funk paulista.

Ao lado de Hariel, Neguinho participou de uma releitura de “Exemplos” e “Louco e Sonhador”, conectando diferentes gerações e trajetórias dentro do movimento.

A escolha dos convidados seguiu uma lógica apresentada pelo próprio Hariel: reunir artistas importantes para sua história e para a construção do funk, independentemente de números ou do momento de popularidade.

“A Red Bull deu pra gente a oportunidade de apresentar artistas que foram importantes pra nossa história e pro movimento”, explicou MC Hariel.

Segundo o artista, as participações foram escolhidas por seus significados dentro dessa trajetória.

“Não é por hype, não é por fama, não é por número. Todas as participações têm um porquê”, completou.

Tasha & Tracie e MC Ktrine destacam legado feminino

O espetáculo também dedicou espaço à presença feminina na história do funk paulista.

MC Ktrine entrou em cena representando o legado de MC Menorzinha, enquanto Tasha & Tracie participaram de uma releitura de “Tang”, primeiro grande hit da dupla que utiliza um sample relacionado à funkeira.

O encontro apresentou uma conexão entre diferentes gerações, mostrando como referências do funk podem atravessar o tempo e reaparecer em novas linguagens.

“Bachiana nº 5” e “Menina de Vermelho” se encontram na performance de Hariel com a bailarina Patrícia Hellen (Créditos: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool)

Homenagem a MC Daleste

Outro momento de destaque aconteceu durante a interpretação de “Bachiana nº 5”, que serviu de introdução para “Mina de Vermelho”, de MC Daleste.

A apresentação também contou com a participação da bailarina clássica Patrícia Hellen, irmã de MC Felipe Boladão.

A escolha da obra de Daleste colocou um dos nomes mais marcantes da história do funk paulista dentro da proposta sinfônica do espetáculo.

MC Marks, MC Don Juan e Menor da VG

A apresentação continuou passando por diferentes momentos e vertentes do funk.

MC Marks levou ao palco o funk consciente e de superação com “Chá de Vida”. Já MC Don Juan representou uma fase de expansão do funk paulista para novos públicos e espaços, enquanto MC Menor da VG apareceu relacionado à própria história de Hariel e aos encontros que contribuíram para sua trajetória.

Cada participação foi inserida dentro da narrativa construída para o espetáculo, reforçando a proposta de apresentar diferentes capítulos do movimento.

SUBMUNDO 808 transforma concerto em baile funk

Um dos momentos mais voltados à energia dos fluxos aconteceu com o bloco do SUBMUNDO 808.

A participação aproximou a formação sinfônica das batidas do mandelão, do funk de rua e do funk de favela. O repertório conectou “Bum Bum Tam Tam” a diferentes elementos da cena contemporânea, levando o público a dançar dentro do Auditório Simón Bolívar.

A proposta reforçou uma das características centrais do projeto: colocar instrumentos acústicos e eletrônicos dentro da mesma estrutura musical, sem tratar o funk apenas como um repertório adaptado para uma orquestra tradicional.

“Maçã Verde” encerra apresentação com grande coro

Para fechar o espetáculo, MC Hariel retornou ao palco com “Maçã Verde”, um dos principais sucessos de sua carreira.

Com suas dançarinas e um grande coro formado pelo público, o artista encerrou a apresentação revisitando uma música diretamente ligada à sua consolidação dentro do funk paulista.

Na sequência, “Cai Lágrimas” reuniu os artistas novamente no palco, encerrando a apresentação com uma celebração coletiva.

Orquestra de Fluxo foi criada especialmente para o espetáculo

Para transformar o repertório de Hariel em uma apresentação sinfônica, o maestro Xuxa Levy desenvolveu do zero a chamada Orquestra de Fluxo.

A formação reúne violinos, violas, violoncelos, contrabaixo, harpa, piano, sopros, metais, percussão, coro e DJ.

O processo teve direção musical de Nave Beatz, reconstrução de aproximadamente 19 beats, participação de sete arranjadores e produção de cerca de 1.800 partituras para um repertório de 36 músicas distribuídas em 21 faixas.

A direção criativa de Drica Lara também foi pensada para aproximar visualmente a orquestra da cultura dos fluxos. A formação retilínea foi inspirada nas vielas e nos carros dos bailes, enquanto uma passagem central permitiu que Hariel atravessasse fisicamente os músicos durante a apresentação.

Xuxa Levy explicou que a intenção era criar uma troca verdadeira entre os dois universos musicais.

“O músico sinfônico ter profundo respeito pelo funk, assim como o músico de funk também ter respeito pela música sinfônica.”

Red Bull Symphonic chega ao Brasil

A apresentação de MC Hariel marcou a chegada do Red Bull Symphonic ao Brasil. O projeto global propõe que artistas contemporâneos revisitem suas próprias músicas a partir de novas interpretações sinfônicas.

Antes da edição brasileira, o projeto contou com nomes como Metro Boomin e Asake, nos Estados Unidos, Trueno, na Argentina, e Kelvin Momo, na África do Sul.

No Brasil, a escolha de MC Hariel levou o funk paulista para o centro da proposta, estabelecendo um encontro entre a música de concerto e uma das principais manifestações da cultura urbana brasileira.

Quando assistir ao Red Bull Symphonic com MC Hariel?

A apresentação completa do Red Bull Symphonic com MC Hariel estará disponível gratuitamente a partir de 2 de setembro de 2026.

O conteúdo será produzido pela Red Bull Media House, com direção de Aline Lata, e poderá ser acompanhado nas plataformas digitais de áudio e vídeo.

No YouTube, o espetáculo estará disponível nos canais oficiais de MC Hariel e da Podpah Records, parceira de mídia oficial do projeto.

Setlist completo do Red Bull Symphonic com MC Hariel

  1. Avisa Que É o Funk / Contra Nós / Funkeiros na Cena
  2. Milionários
  3. Exemplos / Louco e Sonhador — part. Neguinho da Kaxeta
  4. Chefe é Chefe
  5. As Minas Que os Meninos Gostam / Tang — part. MC Ktrine, Tasha & Tracie
  6. Bachiana Nº 5 / Menina de Vermelho
  7. A Dança
  8. Vou Buscar
  9. Hoje eu Vou Ganhar
  10. Ilusão (Cracolândia) / Não Existe Amor em SP / Réquiem: Lacrimosa — part. MC Davi
  11. Cavalo de Troia / Chá de Vida — part. MC Marks e DJ Pereira
  12. Abre Alas / Até o Sol Raiar
  13. Cupido / Tem Café
  14. Conto do Pescador — part. Menor da VG
  15. 4M no Toque
  16. Oh Novinha / Lei do Retorno — part. MC Don Juan
  17. Bloco Submundo: Carmina Burana / Bum Bum Tam Tam (Bolha Remix) / Perereca Assanhada do Submundo / Assobio Árabe (com GW) / Mini Game da Tacação / Baile de Favela
  18. Maçã Verde
  19. Diretoria
  20. Cai Lágrimas — part. Todos

A estreia brasileira do Red Bull Symphonic com MC Hariel colocou o funk paulista diante de uma formação sinfônica construída especificamente para dialogar com sua linguagem. Entre homenagens, encontros entre gerações e releituras de músicas marcantes, o espetáculo apresentou uma nova forma de contar a história do funk a partir de seus artistas, territórios e diferentes momentos.

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