O RCD (Rap Contra a Direita) se apresenta como um novo movimento formado por integrantes da cultura Hip-Hop, entre criadores de conteúdo, MCs e fã-clubes, com a proposta de ampliar a participação política dentro da cena e incentivar o público do rap a se envolver nos processos eleitorais.
Segundo o movimento, a iniciativa parte da compreensão de que a arte pode funcionar como instrumento de mobilização social e política. O RCD também resgata a trajetória do Hip-Hop como uma cultura historicamente ligada à resistência, às periferias e às discussões sobre desigualdade social, racismo e direitos.
Como todos deveriam saber, o rap nunca foi apenas música, mas também uma forma de expressão construída a partir das experiências das periferias e da necessidade de ocupar espaços de debate na sociedade. Com isso em mente, nasce o movimento que visa acolher aqueles que ainda não decidiram os seus votos e com ampla informação e ideologia, mostram o melhor caminho a se seguir no segundo turno das eleição presidencial.
O movimento afirma ainda que pretende dialogar especialmente com pessoas que se encontram afastadas das discussões políticas, seja por processos de exclusão social ou pela sensação de que a política não produz mudanças concretas.
“Se você não decide, alguém fará isso por você”.
Em seu manifesto, o RCD critica a descrença na participação política e defende que o voto e o envolvimento social continuam sendo ferramentas importantes para definir os rumos do país.
A organização afirma que sua intenção é “dialogar, conscientizar e lembrar que a voz das ruas não pode ser ignorada”, convocando pessoas ligadas à cultura Hip-Hop a participarem mais ativamente das decisões políticas. Cantores, DJ’s, creators, mídias independentes do RAP, fã clubes e defensores da cultura, estão unidos em um só movimento.
“O Rap nunca mudou nada ficando em silêncio”, exaltou a organização do RAP CONTRA A DIREITA em sua apresentação.
A iniciativa também faz um chamado para que integrantes da cena conversem com amigos e pessoas próximas que estejam afastadas do debate político ou que tenham se aproximado da direita. Nesse contexto, o RCD declara abertamente seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defende que Lula seria, neste momento, a melhor opção eleitoral, analisando que o outro lado (Flavio Bolsonaro), se posiciona contra a cultura e faz ameaças a democracia brasileira.
Movimento também obra posicionamento de artistas
Outro ponto levantado pelo RCD é a postura de artistas do Hip-Hop diante do cenário político. O movimento critica aqueles que, segundo sua avaliação, permanecem em uma posição de neutralidade mesmo tendo construído suas carreiras dentro de uma cultura marcada historicamente por debates sociais e políticos.
O grupo afirma que artistas que obtiveram projeção e ganhos financeiros a partir da cultura também serão lembrados pelas posições que escolheram assumir, assim como pelas que decidiram não assumir. E aqui podemos citar a frase do Poeta Sergio Vaz para resumir o pensamento: “Se você se posicionar até pode perder uma parte dos seus seguidores, mas se não se posicionar pode perder um país inteiro”.
A mensagem de apresentação do RCD termina com uma provocação direcionada aos artistas que preferem não declarar posicionamento: “Quem fica em cima do muro, cai pra direita.”
Com o lema RAP CONTRA A DIREITA, o movimento pacífico busca consolidar uma mobilização política dentro da cultura Hip-Hop e transformar a tradição de resistência do rap em participação ativa no debate eleitoral. Quem conhece a história do RAP e da cultura Hip-Hop sabe de qual lado ele está nessa situação: o da rua, dos trabalhadores, da democracia, da cultura e principalmente, do lado do povo brasileiro.
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