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Ana Castela recebe críticas após transformar ‘Rap da Felicidade’ em exaltação ao agro e ostentação

Ana Castela virou alvo de críticas após lançar “Não é Pressa, é Pressão”, música feita em parceria com Rincon e DJ Boss que utiliza a melodia e a estrutura de “Rap da Felicidade”, clássico de Cidinho & Doca lançado em 1995. A nova versão, porém, troca a temática social da obra original por referências ao universo agro, luxo e ostentação, algo totalmente contrário do conceito da versão original.

A principal discussão em torno da faixa está justamente na mudança de significado. Enquanto “Rap da Felicidade” nasceu como um retrato das dificuldades enfrentadas por moradores das periferias, incluindo violência, desigualdade e o desejo de viver com tranquilidade, a nova música utiliza a mesma base para apresentar uma realidade associada ao agronegócio e ao poder aquisitivo.

Usuários nas redes sociais estão citando a situação como um “desrespeito a história do funk” e “falta de noção” da cantora, embora outros usuários apareçam defendendo a sua liberdade artística. 

Na composição original, Cidinho e Doca cantavam sobre o desejo de “ser feliz” e de “andar tranquilamente” na favela onde nasceram, refletindo que na época de lançamento, não era tão comum a situação de estar “tranquilo” pelas favelas do Brasil. A letra se tornou uma das mais conhecidas do funk brasileiro e carregava uma forte dimensão social ao falar sobre a realidade das comunidades.

Já “Não é Pressa, é Pressão” reaproveita elementos reconhecíveis do clássico, mas direciona a narrativa para outro cenário, relacionado a luxo, ostentação, festa e universo agro. A mudança foi interpretada por críticos e internautas como uma espécie de esvaziamento da mensagem social presente na composição de Cidinho & Doca.

A utilização de músicas conhecidas para criar novas versões não é novidade na música brasileira. O ponto que gerou debate neste caso é a distância entre os contextos apresentados pelas duas obras.

De um lado, “Rap da Felicidade” tornou-se um símbolo de uma produção musical que dava espaço às experiências e reivindicações das periferias. Do outro, a faixa de Ana Castela apresenta uma estética ligada ao agronegócio e à ostentação, movimento que acompanha a identidade construída pela cantora dentro do chamado agronejo, algo que de forma alguma, se conecta com a cultura do funk. 

A controvérsia, portanto, não está apenas na utilização da melodia, mas na transformação da mensagem associada a uma música que possui forte ligação com a cultura periférica brasileira.

A nova faixa foi lançada oficialmente em 28 de agosto e rapidamente passou a ser discutida por veículos especializados em música e entretenimento justamente pela releitura de “Rap da Felicidade”.

Falando sobre a questão jurídica, a música está devidamente registrada e os créditos dos compositores originais de “Rap da Felicidade”, Julinho Rasta e Kátia Sileia, aparecem nos dados de registro da nova faixa. Isso indica que houve autorização para a utilização da obra na interpolação. Portanto, até o momento, não há indicação de que Ana Castela tenha cometido alguma irregularidade legal. A discussão levantada pelo público está, principalmente, na forma como a nova versão foi construída e na mudança da mensagem original da música, que não foi bem recebida por uma grande parcela dos ouvintes.

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